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| Conversa da Garagem Tudo o que não esteja relacionado com Clássicos, mas que se enquadre no perfil do Fórum. |
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Olá a todos (um olá e um obrigado especial ao AlfElísio).
Tenho um restauro de uma carrinha VW (kastenwagen 21) que pertence à família desde os primeiros anos da década de 70, a decorrer. Comecei a mexer nela no verão de 2005 e aproxima-se o verão de 2007, ainda com cerca de 35% de todo o trabalho feito. Provavelmente alguns dos membros deste fórum, já viram este "tópico" no fórum da Autohoje. A carrinha não está original e mal foi comprada (como era apenas um veículo em segunda-mão) foi transformada em auto-caravana pelo meu pai, que tem imenso jeito para este tipo de coisas, algo que infelizmente não me foi transmitido geneticamente .A vantagem, em relação às originais, é que esta tinha/tem lotação para 5 pessoas no livrete e com a disposição do interior, podíamos dormir e comer lá os cinco (eu, as minhas duas irmãs e os meu pais). Tinha fogão e lava-loiça, mas nenhum frigorífico, pois a minha mãe tinha (e ainda tem) medo de fugas de gas durante a noite. Sei que na altura o meu pai era assinante de uma revista francesa de campismo e num desses números vinha um especial sobre uns acidentes fatais por causa dessas fugas algures na Europa. Para além disso, o meu pai equipou-a com uma sanita quimíca, o que deu muito jeito aos filhos . Essa sanita química, quando montada totalmente, fazia um compartimento fechado, o que é um verdadeiro desafio de design industrial se nos lembrar-mos do espaço existente dentro de uma carrinha VW.Talvez por isso, o meu pai quisesse antes comprar uma carrinha mercedes, maior mas mais cara, antes de se decidir por esta. O interior vai ser muito semelhante, apenas com uma melhoria em termos de acabamentos. Espero conseguir fazer tudo o que quero e que lá para o Verão de 2008, já comece a sulcar de novo esses caminhos pela Europa. A ver vamos! Para já, deixo aqui algumas fotos e um pouco da história deste carro desde que está connosco. 1977 Algures em Espanha (?). Nesta foto vê-se o primeiro tejadilho e o primeiro interior que montava um banco corrido lateral (risco preto que se vê nas janela central lateral e que se transformava em beliche. O móvel desta versão estava atrás do banco do passageiro da frente. Esta versão era má para nós (filhos) porque ficávamos agoniados por ter que ficar sentados de lado. Talvez melhor para a segurança geral mas péssimo para o estomago... :P E já agora, na mesma viagem, também em Espanha (?) eu, as minhas irmãs e a minha mãe... Tinha 4 anos. |
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Toledo, 1979
Aqui, já com o segundo tejadilho. Este era preto e também não durou muito por causa disso. O interior ainda era o mesmo, ou seja com o banco lateral. Verão de 1980 A abastecer de água. Algures entre Madrid/Zaragoza a caminho do centro da Europa. E na mesma viagem (no mesmo Verão); Os filhos e a minha mãe em Veneza. Por vezes tinham que voltar para trás porque eu ficava parado (embasbacado) a olhar para as montras com réplicas douradas das gondolas cheias de pequenas luzes coloridas que piscavam...Eram "bimbas com'ó caraças" mas eu adorava-as .... :lol: foto tirada pelo meu pai.... :lol: |
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Maio de 1981.
Eu e um amigo junto ao portão da casa dos meus pais. Nesta foto dá para ver a carrinha e um anglia de 65 (penso eu) e que aguarda um restauro. Vila Nova de Mil Fontes - 1981 Não sei se alguém deste fórum se lembra da margem Sul do Rio Mira nesta altuara....era só malta a acampar. Ainda Vila Nova era só um pequeno amontodo de casas... 8) |
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Estas são de 82. Tinha 9 anos.
Os meus pais. Vê-se um mastro de windsurf por cima e à frente umas barras onde se transportava um barco (que se divide em dois e que ainda existe). eu e o meu pai. Nesta vê-se um pacote de leite e um de manteiga em cima do tejadilho. Como não havia frigorífico, era ali que ficavam durante a noite para arrefecerem... A tenda que se vê, era uma canadiana que se usava quando era preciso dormir um sexto elemento. Neste caso, um amigo dos meus pais, francês, que nos acompanhou na viagem. Esta foto foi tirada no mesmo dia das anteriores. Aqui sim, vêem-se perfeitamente o pacote de leite e o de manteiga... :lol: Brutal!! Aqui dá para ver que o interior já é a segunda versão e a que ficou até agora. É também a que vou voltar usar (configuração) embora vá ser tudo feito de raíz. |
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Verão de 1983
Chamonix Aqui dá para ver o terceiro tejadilho. Este já com outro formato e com uma claraboia (que foi transferida pare o actual - cinza). Suiça - Genebra A minha mãe atrás da máquina e os restantes 4... |
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arredores de Paris (ida às compras)
A minha irmãmais velha, sentada no banco preferido dela. Ela mais elevado e dava para esticar as pernas por cima do móvel. Dá para ver o sistema de cortinas que era/é de enrolar. Permitia que ficassem escondidas. A desvantagem é que tendem para abrir nas laterais deixando entra luz. No entanto, tb havia um "sistema" para contornar esta situação... Ainda não decidi qual o sistema a usar: se recupero este (uma vez que já fiz umas cortinas novas para ele em 2001) ou mudo radicalmente e faço um sistema tradicional - cortinas a fechar para o lado. Existem muitas mais fotos destas viagens embora poucas com a carrinha. Mas acho que dá para perceber o porquê do amor que tenho a este carro em particular... |
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Queria só acrescentar (uma vez que esta parte é um "edit post") que descobri algo para mim maravilhoso e que já nem sabia que existia.
É uma espécie de diário de bordo, feito pela minha irmã mais velha, no verão de 1980 (algumas fotos dessa viagem estão em cima). Foi feito num pequeno bloco que andou anos e anos dentro da carrinha até ao dia em que alguém o guardou como recordação: Início de viagem - 58348 km's marcados. Lisboa, 18-08-80 às 17 horas - 1.500$00 de combustível. 58707 Km's marcados - 19-8-80 às 16H (a caminho de Madrid) 2670 Pesetas 59155 Km's marcados - 20-8-80 Catalayud às 12.30 (a caminho de Zaragoza) 2500 Pesetas 59737 Km's marcados - 21-8-80 Gerona - 2600 Pesetas 60160 Km's marcados (?) - 23-8-80 - Marseille 9.00 horas 152 Francos - 3,22 francos/litro 60559 Km's marcados - 24-8-80 - Briançon 100 Francos - 3,24 francos/Litro 61056 Km's marcados - 27-8-80 Bergamo 16.30 Horas 36.000 Liras - 735Liras/Litro 61535 Km's marcados - 29-8-80 Cremona 19.30 25.000 Liras - 735 Liras/litro 61941 Km's marcados - 31-8-80 Menton (a 1 km de Italia) - 9.00 Horas - 150 Francos - 3,25 Francos/Litro 62335 km's marcados - 5-9-80 - Cannes - 9.15 horas 150 Francos - 3,26 Francos/litro 62764 Km's marcados - 6-9-80 - entre Montpellier e Béziers (?) -1 0.00 horas 150 Francos - 3,13 Francos/Litro 62938`km's marcados - 6-9-80 - à saída de França - 16.30 Horas 40 Francos - 3,24 Francos/Litro |
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63413 Km's marcados - 7-9-80 - Zaragoza - 13.00 horas 2620 Pesetas (52 pesetas/litro) - total 50 Litros 63997 Km's Marcados - 8-9-80 - entrade de Portugal - 19.00 horas 2525 Pesetas - 52 pesetas/Litro - total de 48 Litros 1ª noite - Estremoz 2ª noite - Guadalajara 3ª noite - Badalona 4ª noite - Narbonne 5ª noite - Marseille 6ª noite - Briançon 7ª noite - Torino 8ª noite - Milano 9ª noite - Como - lecco 10ª noite - Lago de Garda 11ª noite - Veneza 12ª noite - Depois de Piacenza 13ª noie - Menton 14ª noite - Cannes 15ª noite - Cannes 16ª noite - Cannes 17ª noite - Cannes 18ª noite - Cannes 19ª noite - Montpellier 20ª noite - Igualada 21ª noite - Aldea de Pilar A seguir, o restauro. |
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Aqui algumas fotos das cortinas que eu mandei fazer para substituir as originais feitas em tecido e que estavam literalmente a desfazer-se em pó.
Estas são feitas em numa espécie de tela fina com dupla face. Do lado de dentro são branco sujo e por fora são metalizadas. A ideia (na altura) era fazer com que o material que estava virado para fora, servisse como protecção ao sol/calor. Outra vantagem era que por serem muito opacas não deixavam passar luz. Por outro lado, por serem tão opacas, eram um pouco grossas o que dificultava a arrumação quando recolhidas. Porvavelmente não as vou usar de novo... |
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Nesta foto vê-se uma prateleira que serve como separação entre um espaço de arrumação e a cama para uma criança (em cima com um colchão).
Dentro da zona do motor, vê-se uma caixa de madeira que continha uma parafernália de ferramentas e peças suplentes...muito jeito deu ao longo dos anos. Felizmente nunca se abriu em andamento.... |
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Uma mancha de ferrugem por cima do pára-brisas (tejadilho),
Para aqueles que pretendem começar um restauro é bom que saibam que uma carrinha está sempre pior do que parece. Podem pensar que "até nem está assim tão mal.." mas desenganem-se. Há sempre uma série de sítios onde à primeira vista, a chapa até parece imaculada ou pouco afectada pela ferrugem, mas após uma observação mais atenta, verão que estavam redondamente enganados... Os piores sítios são sem dúvida por detrás dos pára-choques (embora o pior é mesmo por detrás do da frente), ![]() ![]() ![]() |
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debaixo do pára-brisas e é sempre proporcional ao tamanho das bolhas ou pequenas manchas de ferrugem que saiam por debaixo da borracha, ou seja, se existirem algumas há a fortíssima possibilidade de estar tudo roto, embora não pareça....
![]() ![]() no tejadilho e calha de água, principalmente junto aos cantos traseiros... ![]() nas portas da cabine, principalmente por baixo (convém verificar com atenção), na porta de correr (em baixo também), por dentro da tampa do motor (a minha estava irrecuperável) e isto porque com o passar dos anos, os furos que existem para deixar sair a àgua da chuva acabam por entupir, fazendo com que as portas comecem a apodrecer por dentro... |
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No meu caso , arranjei um bate-chapa que prefere fazer os arranjos através de processos "mais artesanais" de remendos e de moldagem de chapa.
Penso que ficou um óptimo trabalho (no entanto tenho a noção que não vai durar mais 40 anos...[ ]), mas em alternativa, pode-se optar pela substituição de zonas/secções com buracos, por secções completamente novas.Podem-se encontrar em várias lojas online. Alguns dos links já foram aqui mencionados mas ficam mais alguns: www juskampers com (UK) www2 cip1 com (USA) www busdepot com (USA) A desvantagem deste método, é o preço.Não só das secções de substituição mas também o transporte e no caso dos sites americanos podem contar com um acréscimo de 12% de direitos alfandegários e 21% de iva a mais sobre todos os valores que pagarem (preço das peças + transporte). No entanto podem confirmar isto junto dos serviços competentes. (lembrem-se que existem formas de "enganar" este sistema e pagar menos...) Em Lisboa devem contactar com Hugo Frazão pecascarocha.hp at netvisao pt digam-lhe que vêm da minha parte para eu ter desconto nas compras que lhe faço .É um rapaz bastante simpático e tenho a certeza que serão e ficarão muito bem atendidos e servidos. Também podem fazer compras de peças em 1ª e 2ª mão em www thesamba com é uma bíblia de fotografias e anúncios a peças e acessórios. No entanto, contem sempre com as taxas em compras feitas a pessoas fora da Comunidade Europeia (aqui podem-se comprar peças a pessoas de todo o mundo mas atenção, porque nem todos enviam para todo o mundo)...aqui é ainda mais fácil ultrapassar o problema das taxas...no entanto, tb é preciso ter algum olho e sorte ao fazer estes negócios. Existem más experiências em todo o lado... Última edição por Pmcoliveira : 26-03-2007 às 09:51 |
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Avançando com o resturo da carrinha...
![]() ![]() Aqui vê-se bem todo o trabalho que envolveu a recuperação da zona do pára-brisas. Na próxima imagem, vê-se a mesma zona antes de ter sido retirado o vidro e a respectiva borracha. Neste caso, já existia um buraco que deixava adivinhar o pior e as ditas manchas indicadoras de mais problemas... ![]() |
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Nestas imagens vê-se quase todo o trabalho de recuperação da chapa. Uma outra zona passível de ter buracos que não se veêm é por detrás das ópticas. No meu caso, já se podiam ver dois grandes buracos. Um em cada um dos lados. Mais um exemplo de que as coisas nem sempre são o que parecem...ah...e não se preocupem...quando rasparem a tinta de pequenas bolhas de ferrugem (principalmente ao pé das borrachas das janelas) verão que está pior do que parece..muito pior.
Conselho prático: desconfiem de orçamentos de bate-chapa dados em 5 min de conversa e 1 de observação.... ![]() ![]() ![]() ![]() |
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![]() ![]() Todo este processo (com férias pelo meio) demorou 2 meses aproximadamente. A tampa de motor (verde), teve que ser comprada em 2º mão numa sucata....mas mesmo assim, teve que ser arranjada. Custou 60€. Já a seguir: a pintura.... |
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Bom, continuando...
Onde é que eu ía?..ah, sim...na pintura! Aqui está uma altura para uma decisão crítica...onde pôr a carrinha para pintar? Pela minha experiência (e até agora só tenho esta), posso dizer que preferia não a ter colocado onde acabou por ficar a ser pintada. Mas, como eram conhecidos da pessoa que me fez o trabalho de chapa, não tive coragem para dizer "não". Agora sei que foi um erro... Primeiro, porque a oficina de pintura é uma oficina cheia de trabalho em carros novos e do dia-a-dia, ou seja...é tudo a despachar e sinceramente não acredito que se preocupem em saber se a pintura vai durar uns anos ou não. Espero que não seja o caso do meu veículo... Em segundo, porque como têm muito trabalho, um carro destes é sempre "para amanhã" e para ser (mais uma vez) sincero, talvez seja preferível assim porque provavelmente com mais calma, o serviço fique melhor. Em terceiro lugar, porque para se conseguir falar com alguém é sempre difícil. As pessoas não param e não só não têm paciência para um carro destes como também não a têm para o dono. Senti isso ao princípio, mas confesso que com o passar dos meses, os empregados foram-se tornando mais acessíveis e afáveis...talvez tivessem pena de mim...qualquer coisa como: "coitado deste tipo. Vem cá todas as semanas e nunca mais acabamos de lhe pintar a m.... do carro!" Para além disto, também encontrei resistência em obter a cor que pretendia para a pintar...Foram ao computador e apesar de este identificar o código "L398 Pacific Blue", surgia a informação de que não dava para obter a cor com aquelas bases...fiquei danado! Para resolver esta questão, tive que enviar mails para o fabricante da tinta que esta oficina usava a perguntar se era possível ou não e por fim, tive que me dirigir pessoalmente ao representante para apanhar a fórmula (numa simples folha A4) e entregar ao chefe de obra com a simples recomendação: "aqui está a fórmula. Senão conseguir obter a côr, contacte-os que eles fazem-na e enviam-na. Eu quero esta e ponto final!". Não se costuma dizer que o cliente tem sempre razão?? E para além disso não só estavam a passar das marcas relativamente ao prazo, como o preço que eu ía pagar pelo serviço era elevado....por isso fiz valer os meus parcos direitos! Outro conselho: desmontem tudo antes de levarem um carro à pintura...tudo mesmo (façam fotos). Desmontem todas as fechaduras, desmontem o "tablier", tirem todos os mecanismos do limpa para-brisas, ou seja, não levem mesmo nada, a não ser o necessário para que possam deslocar o carro. Corre-se sempre o risco de que na oficina percam algo que custa um balúrdio ou até que partam qualquer coisa que já não se fabrica e depois vem sempre a mesma história do "já estava!". É que as pessoas têm a tendência para se esquecer que estes carros têm quase 40 anos e que muitas das peças nem sempre saiem à primeira...Para além disso, têm também outra tendência: usar a chave portuguesa, ou seja, o martelo... e isso na maioria das vezes, dá mau resultado! Aqui ficam algumas das imagens da primeira fase da pintura: o primário. ![]() ![]() ![]() ![]() Última edição por Pmcoliveira : 26-03-2007 às 09:55 |
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