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| Automobilismo em Angola Memórias e imagens dos anos de ouro do automobilismo em Angola |
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Não sei se estou a desrespeitar alguma regra do fórum, julgo que não, porque é do interesse comum, mas publicidade à parte, no "Sportscar Portugal" está publicada grande parte dessa história angolana. Como tal, não vale a pena estar aqui a repetir o que já escrevemos anteriormente. Digo eu...
http://sportscarportugal.com.sapo.pt e depois: "História"
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Viva, Ricardo!
Claro que não é querer repetir seja o que for... Por isso, "estórias" e não "História". Sabes? Haviam uns espaços de tertúlia que acabaram, onde eram contadas as estórias segundo o ponto de vista de quem as escrevia, fossem pilotos, fossem espectadores, fossem organizadores. Com "estórias" se faz a História. Esta estória, já nem eu sei onde está... Acho que tenho de a reescrever... Cheers,
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Pois eu acho que nunca são demais os espaços para a história do nosso automobilismo.
Sobretudo porque abrimos o leque de captação de elementos (factos, fotos) de cada vez que abrimos um espaço novo. Acho que este tópico tem muita margem para crescer. ![]() |
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Citação:
O PALANCA NEGRA 1969 visto por MIM: O cartaz da corrida era muito bonito: monocromático, com a imagem de frente de um Alfa T33-2 com o Nº16 em fundo quadrangular, entre a grelha e os faróis direitos. Antes de qualquer corrida que se realizasse em Luanda, era um frenesim na minha casa, pois morávamos quase por cima da ATCA e da Vitorinos, oficina e garagem muito reputada, onde eram preparados muitos dos carros que corriam em Angola, nomeadamente os da ATCA. Por lá, passou TUDO o que se possa imaginar, para felicidade minha e de outros miúdos e graúdos que tinham uma espécie de livre-trânsito para lá entrar: bastava não incomodar, e nós agradecíamos... Os mais ruidosos eram os NSU TT, que passavam constantemente. Qualquer escape livre que se ouvisse, era uma correria dos miúdos às varandas. Ainda por cima, grande parte dos pilotos de fora, ficavam hospedados no Tivoli, Hotel vizinho, e traziam os seus carros para a rua. Assim, viam-se os Lotus 47, os Alfas GTAm, os BMWs, os Cortina-Lotus, e... O Porsche "Carrera 6" do Carlos Santos: -Esteve largos dias em Luanda nessa altura e, para gáudio de todos os luandenses, circulava por toda a cidade e estacionava em frente ao hotel. E sem matrícula!!! Portanto, era alvo de constante admiração e ficou na memória de muita gente. Ora, uma vez, dias antes da corrida, ouviu-se um ruído fora do comum que nos atirou para as janelas: era não um, mas dois sport-protótipos que aceleravam parados frente ao Tivoli. Era o 906 do Carlos Santos e um outro, vermelho, ainda mais lindo que Carrera6, sem tecto, o 910 de André Wicky. Depois de umas poderosas aceleradelas com ambos os carros equipados de penduras, portas abertas em posição exótica, os ocupantes do 910 com os troncos de fora do carro em largos gestos de festa, arrancaram os dois, serpenteando-se mutuamente pelo arruamento de estacionamento, paralelo à via principal da avenida. E meteram à direita, passando pela Revista Notícia, rua abaixo a grande velocidade, a caminho da Marginal, ou da Ilha, calcula-se para uma esplanada... Em Angola era absolutamente normal, os pilotos irem ao café ou à cervejaria com as suas máquinas. A CORRIDA: Sempre que se corria o Circuito da Fortaleza, a cidade sofria um grande transtorno: vias fundamentais eram encerradas por vários dias, e nos dias das corridas, quem morasse perto do circuito, não podia saír de casa por vários factores: -Se a corrida passava à porta, esta estava vedada por gente; -Se morasse nas proximidades, a porta também estava vedada por... carros! Portanto, a atitude do município em limitar a duração do evento, até foi do agrado de muita gente, até porque estava-se em vésperas de Natal, com todas as implicações de ciculação e de comercio inerentes. As corridas mobilizavam quase toda a cidade, e traziam milhares de visitantes de todo o lado. Para se ter uma ideia, ruas próximas do traçado, com duas faixas e estacionamento dos dois lados, ficavam completamente cobertas de carros parados. Fazia-se tudo para ver as corridas: -Haviam ingressos que esgotavam rapidamente, para uma bancada com uns 3000 lugares, e para o "peão", para os passeios junto aos arruamentos do circuito, onde se amontoavam multidões; -O circuito era delimitado por tapumes de pesada madeira com uns 2 metros de altura; então, haviam também multidões às cavalitas por trás dos tapumes; -Alugava-se uma canoa com o seu pescador por uns escudos, e ia-se da ilha para a marginal; -Ia-se à fortaleza, com óptima panorâmica sobre grande parte do percurso; -Ia-se às varandas e terraços dos prédios mais altos e com melhor vista; -Comigo, foi assim: fui com 2 irmãos para o miradouro da R. Nª Sª da Muxima, por cima das barrocas, uma arriba com óptima visibilidade para a marginal. Mas percebeu-se que algo de errado se estava a passar. A certa altura, ouvia-se dizer que a corrida já tinha acabado! Mas o que é certo é que pouco depois os carros voltaram a correr, mas eram muito menos! Não percebíamos nada e passado algum tempo, fomos para casa. Passada cerca de uma hora, começa a invasão da multidão a voltar para casa, mesmo até pelo meio da avenida, com os carros a passo atrás das pessoas! Um garoto negro, saltitava e levava nos braços algo que me era familiar: uma tampa da frente dum Carrera 6! Mas esta era vermelha e tinha o Nº16! E ia todo contente, com a tampa adiante, imitando um capot. E é no meio desta confusão que vejo algo ainda mais insólito: Um reboque pára no meio da avenida, em frente à Vitorinos. Carregava na traseira um 906 totalmente em cacos! Percebeu-se que o motorista questiona sobre onde o deixar! O 906 do Carlos Santos, permaneceu por mais uns dias em Luanda, e vi-o circular várias vezes, então em ritmo calmo. Circulavam rumores que ia ser vendido a um piloto local. Mas acho que o C Santos gostava tanto do carro, que ninguém o demoveu...
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Última edição por asperezas : 18-10-2008 às 02:18 |
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A seguir, abro 2 novos tópicos dedicados a Nicha Cabral e a António Peixinho.
São relativos às carreiras destes pilotos em Angola. E são copy-paste do que alojei noutros locais. Espero que gostem... Provavelmente, estes tópicos irão para uma secção nova... ![]()
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Por falar em Angola hoje deparei-me com este photostream que decerto vão gostar: Car Racing in Angola in the 50's 60's and 70's.
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Marco Santos |
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Sim, é do Fernando Arroyo.
Tratam-se de imagens do arquivo / CD do TukuTuku, clube Benguelense que fundou o Autódromo de Benguela, cujo presidente actual é o piloto angolano António Almeida, filho de lendário Eurico Lopes de Almeida. Algumas imagens que coloquei nestes tópicos sobre Angola, são desse álbum online do NiteOwl. Cheers,
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Obrigado pelo esclarecimento! Algumas fotos de facto pareciam-me familiares, pudera já as tinha visto no website do TukuTuku há algum tempo...![]()
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Marco Santos |
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A minha vivência do automobilismo angolano foi curta, pois fui (mandado) para lá para outro tipo de "actividades"...
1. Assisti às "6 horas de Nova Lisboa" de 1971, em que o Peixinho correu no Alfa 33 com a belga "Christine" Beckers (que falhou a abordagem de uma curva nos treinos e inutilizou o mesmo para a corrida) e o "Nicha" Cabral no BMW 2800 CS Schnitzer com o Hans Stuck Jr. (que venceram). Lembro-me de o Hans Stuck Jr. - questionado sobre o meu porquê de tantos slides à saída das curvas - me dizer que o asfalto do circuito citadino ser muito liso, portanto dar pouca aderência aos carros (provavelmente a razão para o despiste da "Christine"). Assisti a essa prova da "box" do Mabílio de Albuquerque, piloto que em meu entender merece igualmente destaque, tal como o Hélder de Sousa e o Santos "Pêras" que herdou o Alfa 33 do Peixinho e boa conta deu. Para não falar de outros pilotos de Angola que protagonizaram provas dignas de realce, sobretudo tendo em conta a falta de condições dos circuitos citadinos. 2. Foi precisamente o Mabílio que me levou a ver o novo autódromo de Luanda, inaugurado pouco tempo antes, mas não cheguei a assistir a nenhuma prova. 3. Um episódio que me fica para sempre na memória - e que creio já ter relatado aqui em algum lado - foi a minha intervenção no relato das "24 horas de Le Mans" para a Emissora Oficial de Angola, em 1973, mas como não tem a ver directamente com o automobilismo angolano, não me alongo no assunto. |
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A Christine, efectivamente ficou sem travões, e 2º vem nos jornais, o carro já tinha acusado falhas... Citação:
Obrigado pelo seu contibuto ![]()
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Citação:
(Dizem que "saudosismo é pecado", mas com "pecados" desses posso eu bem... |
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Ola a todos,
Aqui deixo um belo emblema esmaltado, ( 7 cms de alto por 5 cms de largo ) possivelmente de grelha de radiador de automóvel, ainda com o nome primitivo de luanda, ( cidade de S. Paulo da Assunção de Luanda ), e que faz parte da minha colecção de emblemas de grelha de radiador, sejam de seguros, países,cidades, empresas, instituições , temáticas como a tauromaquia entre outras temas. Um abraço Carlos Caria |
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Mas pronto, sabe-se alguma coisa que se possa mostrar? Carlos, o relato que fez de LM'73 estava integrado num programa de rádio? Se sim, qual o nome?
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A imagem acima é tirada do meio da avenida, que na altura era dividida em duas partes por um largo no meio de 5 vias. À Dtª, vê-se um edifício baixo, de 2 pisos, que era uma padaria. A ATCA, entidade federativa e clube local, era o edifício seguinte, parcialmente encoberto por um candeeiro próximo da tomada da imagem. Lá, também funcionava a Vitorinos, do pai e filhos homónimos, que assistiam aos carros da ATCA desde os Maserati, e a outros, como o Lotus 62, o T292 do tempo do Mabílio, ao Chevron B23 do Teixeira da Silva, e mtos outros. Estava também lá instalada uma assistência aos NSU, e foi ali que foram preparados muitos TT, TTs e o NSU protótipo de Amadeu Inácio e de Gil Morgado. À Esqª da foto, a seguir ao placard da Audi, funcionou até ~1970 a Subaru. No prédio colado a seguir, ficava o Hotel Tivoli. Mais acima, é perfeitamente visível o Hotel Trópico. Eu morava no local ideal para ficar eternamente viciado por carros de corrida. Abaixo, uma imagem tirada da varanda do apartamento onde morava. À Esqª, é visível a tal rua onde estava instalada a revista Notícia, em frente aos 1os carros estacionados. Foi essa rua que o 906 do C Santos e o 910 do Wicky desceram, depois que partiram do Hotel Tivoli.
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Última edição por asperezas : 25-10-2008 às 04:09 |
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Não, foi uma colaboração minha espontânea com a E.O.A., na qual eu nos principais noticiários fornecia apontamentos ao locutor de serviço que este lia no fim das notícias. É uma história comprida e não sei se se enquadra neste tópico...
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Quanto a essa dica de "pouco descanso, etc." não entremos por aí, está bem? Então não haveria piloto metropolitano que conseguisse acabar uma única prova em Angola, pois "o etc." durava sempre até altas horas da madrugada, como deve saber... algo a que os pilotos locais estavam mais habituados... |
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Quero agradecer o ter dado início a este tópico e a todos os outros que com ele se relacionam, pois além de estar a gostar dos diversos relatos já apresentados, deu-me a possibilidade de conhecer toda uma "estória" que desconhecia, pois ainda não era nascido.
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Caro Asperezas: Acompanho as suas intervenções neste e noutros locais, sempre apaixonadas, e verdadeiramente "sensualistas", que nos despertam a possibilidade de "ver com os seus olhos", sem nunca intervir. Caro CG: A Estória da rádio já conhecia. Para quando um jantar dos habituais, subordinado a este tema e a estas "estórias"? Podemos lançar o repto ao Ricardo e ao Mini Racer, não?!...
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Mas eu não sou de intrigas!... |
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Por mim... e uma presença obrigatória num jantar subordinado a este tema seria a do Fernando Carneiro! E estou a pensar noutra pessoa que foi várias vezes a Angola como "peça imprescindível da comitiva", mas essa pessoa não é nada dada a revelar as estórias a que por lá assistiu...
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Caro Jabardini Se calhar no fds de 7-8-9 de Novembro vamos ter tempo... Caro Asperezas Parabéns pelos teus tópicos aqui no Motorclássico. Não os comento pois são certezas da história e aliás já os conhecia de "outros carnavais" e como sabes tenho pena ... ![]() |
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Obrigado pelas suas palavras, 'jabardini'! Citação:
Vês, 'miniracer'?
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transcrição deste post
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A seu tempo, dentro do que o Tempo representa, este texto de Toni, não podia ser mais coerente.
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